Dia de Assembleia
Acredito que todo síndico sofre um pouco na época da assembleia. Não que haja algo de errado, mas é o dia em que todos, bom... pelo menos deveria ser todos, se reúnem para decidir os rumos do condomínio.

Acredito que todo síndico sofre um pouco na época da assembleia. Não que haja algo de errado, mas é o dia em que todos, bom... pelo menos deveria ser todos, se reúnem para decidir os rumos do condomínio.
Eu sentei com a Administradora, repassamos todas as prestações de contas, teve aquele valor de imposto que não foi recolhido no ano anterior e caiu de paraquedas nas despesas deste ano, teve o sistema de arrefecimento do gerador que deu problema e não estava previsto, enfim, coisas que caem no colo do síndico ao longo do ano e temos que resolver de imediato, sem tempo para organizar assembleias extraordinárias. Então, como diz meu amigo “matamos no peito”. O caso é que muitas vezes assumimos riscos e o maior risco passa a ser na assembleia. Sempre tem aqueles que gostam de mostrar como são entendidos e fazem umas perguntas óbvias.
Como eu ia dizendo, montamos toda a apresentação depois de repassar os números. Fiz toda a previsão orçamentária, cheguei até a anexar fotos de algumas aquisições que foram feitas. Tudo bem organizado.
No dia, contratei data show, coloquei até uns biscoitinhos, cafezinho e umas flores na mesa em que recepcionava os condôminos e colhia as assinaturas na lista de presença. Lindo.
Depois de passarmos todos os itens que estavam na pauta do dia, chegamos ao assustador “assuntos gerais”. Eis que a nova esposa do Nestor do 703, levantou a mão e pediu a palavra. Ele do lado dela, orgulhoso da figura emperequetada a quem olhava apaixonado. Ela fez aquele som de quem coça a garganta e lascou:
- Precisamos proibir que as pessoas fumem aqui no condomínio, pois não posso sequer abrir a janela que já vem o cheiro de fumaça do andar de baixo.
Alguns arregalaram o olho e exclamaram que dentro do apartamento cada um faz o que quer, outros apoiaram e já estavam três ou quatro falando ao mesmo tempo.
- Então tem que proibir que façam tanto “barulho” no quarto de cima, pois é toda noite gritos e gemidos que ultrapassam a linha do bom senso – Dona Lurdes estava vermelha, não sei se pelo assunto que levantou ou se por raiva de reclamarem do seu cigarro.
- Isso mesmo, esse condomínio é um lugar familiar – falou outro.
Fiz sinal para o presidente da mesa que acabou agradecendo a presença de todos e garantindo que tudo o que foi dito estava registrado em ata e deu a assembleia por encerrada.
Entre risadas, opiniões, críticas e piadas, a assembleia teve que terminar meio às pressas pois um assunto polêmico levou a outro e a outro e logo aquela reunião tinha se tornado uma grande lavanderia pública.






Deixe o seu comentário
Nenhum comentário registrado